Moncho Lopez: “Assentar as bases tácticas”

A Selecção Nacional concentra-se no próximo dia 21, no Luso, onde vai preparar o apuramento para o Europeu deste ano, sem Paulo Cunha e Jaime Silva, que tiveram de deixar a convocatória, por lesão.

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16 JUN 2009

Saiba nesta entrevista o que o seleccionador nacional Moncho Lopez espera deste primeiro estágio e como pretende colmatar as ausências destes dois jogadores.

Sendo este um estágio também de observação poder-se-á dizer que o lote final de atletas ainda continua em aberto? Claro que sim. Estamos a trabalhar com uma lista alargada de jogadores, com um limite de 25 atletas, como impõem as regras da FIBA. Neste estágio serão observados 14 e uma semana mais tarde entrarão aproximadamente entre 5 a 7 jogadores. Se a brevidade da final do playoff “favoreceu” os interesses da Selecção, o número de indisponíveis complica o seu trabalho com vista à fase de apuramento? É um problema com o qual teremos de conviver… e sobreviver. Muito provavelmente o maior handicap é facto de os lesionados, Paulo Cunha e Jaime Silva, ocuparem a mesma posição, e ambos tinham uma base de trabalho táctico com um papel muito bem definido na actual Selecção. Teremos que procurar em outros jogadores habilidades defensivas muito concretas para as que o Paulo e o Jaime estavam bem preparados: defesa dos bloqueios múltiplos, responsabilidade sobre a bola na transição defensiva, etc. E logicamente as suas capacidades ofensivas, sobretudo em termos de penetração e “pick an roll” também deverá ser equilibrada por outros companheiros. Este período de trabalho serve essencialmente para que fins? Embora estejamos a mais de 40 dias dos jogos de apuramento, nesta fase começaremos a assentar as bases tácticas do nosso jogo. Trabalharemos a construção do jogo em três vertentes fundamentais: regras básicas de recuperação defensiva; regras básicas da transição ofensiva, essencialmente na utilização dos postes na sua chegada ao campo de ataque, e regras básicas do jogo sem bola, após bola interior e após as penetrações. Como se pode verificar, trata-se essencialmente de encontrar as senhas de identidade comuns nas diversas fases do jogo, tentando unir ao máximo um grupo de jogadores provenientes de diferentes equipas e diferentes competições. Vai aproveitar para introduzir novas coisas tendo em vista os jogos de apuramento? Quase todo o trabalho será o de relembrar tudo aquilo que temos vindo a fazer há quase um ano, embora com os ajustes lógicos para nos adaptarmos a novos jogadores que se incorporam na Selecção, e também com a perspectiva dos futuros rivais que teremos de enfrentar. Muito provavelmente vai deparar-se com o problema de ter de escolher entre um dos naturalizados… É um problema enorme, uma autêntica dor de cabeça. Juntando-se agora a este grupo o Manuel Sicó, o que significa que trabalharemos com três atletas, dos quais apenas um permanecerá no grupo final. Tome a decisão que tomar, será sempre uma injustiça para com o esforço e o trabalho dos jogadores dispensados. Muitos detractores aproveitarão para dizer que fizemos a escolha errada. Mas não é importante, é uma decisão que tem de ser tomada, em que o mais importante é o facto de os atletas já terem conhecimento prévio da situação e se preparam mentalmente para o que lhes possa suceder. Desafiando-o para um exercício de futurologia, face às lesões, retirados e indisponíveis, vê alguma posição em que possa vir a ter problemas em preencher? Creio que a posição de base é a que melhor está coberta este ano, porque voltamos a contar com o Filipe da Silva e não temos nenhum jogador lesionado. Tenho muitas opções de qualidade na posição de 1 e agrada-me o que vejo. Julgo ser possível construir um grupo com vários bases de diferentes características, que se podem complementar perfeitamente. Estamos a trabalhara a ideia de poder jogar muitas vezes com dois bases ao mesmo tempo, como estão a fazer as melhores selecções da Europa e como é habitual no basquetebol moderno por esse mundo fora. Isto permitir-nos-á equilibrar a previsível ausência, por lesão, de extremos importantes para a nossa Selecção, posição onde muito provavelmente iremos ressentir-nos mais. O Cunha garantia qualidade e experiência, para além de que os naturalizados ocupam essa posição e somente um poderá jogar.

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16 JUN 2009

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