Moncho Lopez em entrevista
O seleccionador nacional vai acumular as funções que actualmente exerce na Federação Portuguesa de Basquetebol com as de treinador do FC Porto, clube onde não só pretende atingir os objectivos pretendidos pela direcção portista, como também deleitar os adeptos do clube com bom basquetebol.

Treinadores
4 JUN 2009
Saiba também nos detalhes desta notícia que alterações o treinador espanhol pretende realizar no plantel dos dragões para a próxima época
Como surgiu o convite do FC Porto?O Presidente Mário Saldanha foi a pessoa que me transmitiu o interesse do FC Porto em contratar-me. Fiquei admirado com a forma como os dirigentes do clube geriram o assunto, ao colocarem-se antes demais em contacto com o Presidente e só depois comigo. Creio que foi a melhor maneira de fazer as coisas, porque convém não esquecer que seestou em Portugal devo-o à confiança depositada em mim pelo Mário Saldanha, desde o primeiro contacto que tivemos. Foi fácil o entendimento com a Federação de modo a poder acumular as duas funções?Sim, desde o primeiro momento em que tomei contacto com a Federação e o próprio Presidente, bem como com o Director Técnico Nacional e outros dirigentes, sempre me falaram desta possibilidade. O meu contrato como Seleccionador foi assinado nos termos económicos que mais favoreciam a Federação, mas sempre com a possibilidade em aberto de poder treinar uma equipa.Sentia falta do treino diário de um clube?Não era exactamente do treino que eu sentia mais falta, uma vez que ao longo do ano faço muitas acções de formação e colaboro com equipas de formação sempre que me pedem. O que realmente necessitava era da sensação de competir, do desafio, de lutar para ganhar partidas.Sempre colocou a hipótese de treinar uma equipa da Liga Portuguesa?Depois da experiência como Seleccionador de Espanha, e de falar com outros colegas Seleccionadores, todos foram unânimes em me aconselhar a treinar uma equipa do país em que sou Seleccionador, como fazem por exemplo Tanjevic na Turquia, o mesmo acontecendo mais recentemente com Recalcati, em Itália. Também me fixei nos êxitos do Andebol e do Futsal de Espanha, selecções orientadas por treinadores de clube.Com o conhecimento que agora tem do campeonato português, que objectivos se propõe alcançar já para a próxima época?É evidente que os objectivos de um clube como o FC Porto são máximos; tenho que assumir o desafio de ter de construir uma equipa que jogue com opções de lutar por todos os títulos. Também existe um outro grande objectivo que me motiva imenso: num clube como este, que investe muito na formação de jovens, há que encontrar uma coesão perfeita entre a equipa profissional e os escalões de formação. Principalmente para aqueles que estão numa idade mais próxima do plantel sénior.Qual a primeira impressão do seu novo clube?ORGANIZAÇÃO com maiúsculas. Estou impressionado com a infraestrutura material e humana que dispõem. A presença de tantas modalidades a competir a um grande nível é algo que para mim tem um grande valor. Pensa alterar muita coisa do actual plantel?O núcleo duro de jogadores nacionais iremos mantê-lo, tentando incorporar pelo menos dois atletas mais, abrindo obviamente a possibilidade para que algum jovem saído dos escalões de formação vá conquistando o seu espaço à medida que a época vai avançando. A maior alteração verificar-se-á na contratação dos estrangeiros, procurando o equilíbrio entre as posições interiores e exteriores e tentando, acima de tudo, assinar com jogadores que acrescentem talento e ao jogo da equipa.Mais um treinador espanhol a treinar em Portugal!Espero desfrutar muito do meu trabalho, embora a minha maior obsessão seja cumprir com as expectativas das pessoas que me contrataram. Mas algo que um treinador deseja sempre com toda a sua alma é que os adeptos portistas se divirtam e estejam orgulhosos da sua equipa.